sábado, 29 de agosto de 2026

Oxigênio

  

Para árvores em meio à floresta

E um peixe na correnteza

Para aves em festa

 

Para toda semente

E os filhotes em um ninho

Para a chama que seja ardente

 

Para o copo colocado com papel

Virado pra baixo na água

Para a cor do céu

 

Elemento essencial

Para tudo isso e para mim

Amor de alguém assim, especial

Ousadia

 

Ouso dizer que você não tem graça

Que seus cabelos são até desajeitados

Que nem causa inveja às flores da praça

Quando passa por ela, ignorando desavisados

 

Ouso dizer que seus olhos são feios

Que sua boca não tem nem sensualidade

Que no caso os fins não justificam os meios

Quando começo até duvidar de toda a saudade

 

Ouso dizer que você não me diz nada

Que dos meus dias a minha alegria retira

E que mereço apanhar ao confessar a jogada

De escrever estes versos falsos no dia da mentira

Ordenação

 

Todas vocês, prestem atenção

Principalmente as quatro aí do fim

Gostaria de um pouco de ordem na frase

Pelo menos algo que se entenda mais facilmente

Não precisa ter nenhum significado filosófico profundo

Basta ser simples, como é bem simples, assim simplesmente

 

Parem de se embaralhar como se corressem em minha mente

Fiquem na ordem exata, por mim e por todo este mundo

Que precisa de vocês para que, ao menos, a gente

Entenda que mesma a lua em qualquer fase

Está inteira a espera de um verso assim

De um poeta de todo o coração

 

E por mais tímida e sem calor

Minguando em sua névoa tão espessa

Ainda inspira cantos em todos esses cantos

Mas vocês têm que estar juntas para isso acontecer

Uma de cada grupo, a começar por você, daí a primeira

Que está sempre na frente de todas, como se tudo dependesse

 

De começar do início. Mas se começa também como se lesse

Um livro do destino de trás pra frente ou como se queira

Assinalando com um marca texto cada letra que ler

Que perfiladas criam dos risos aos prantos

Poesias talvez até confusas como essa

Pois bem, letras. Formem o amor

Oração

  

É quase sempre calado que o coração acelera

Não sei se no toque ou na lembrança esquecida

De um comentário em uma página já perdida

De um fato apertado, com um toque de espera

 

É quase sempre acelerado que o coração ouve

Buscando algum sentido na palavra já falada

Querendo alguma alma que o ouça calada

Como a imagem de uma santa a que se louve

 

É quase sempre ouvindo que o coração rebate

Fechando-se em si sem que ninguém se atente

Dizendo a verdade mesmo quando a boca mente

E levando o pobre sorriso, infelizmente, ao abate

 

E é sempre rebatendo que ele se ergue, porém

Ao observar nos olhos o seu verdadeiro carinho

Trazendo de volta à boca, o sorriso e o caminho

Para a alma que beija sua mão, no sincero amém


Oração em Oz

 

Dê-me senhor o Leão,

Para nesta noite de prata,

Ouvir menos o Espantalho

Do que o Homem de Lata.

Olhar

 

Deixe-me só olhar pra você

Sei lá, deu vontade de ficar assim

À toa, pensando em várias coisas boas

Para que os problemas se esqueçam de mim

 

Deixe-me só olhar pra você

Pegar um pouco da sua paz serena

Emprestada para que eu me fortaleça

Cada vez que, com o olhar, você me acena

 

Deixe-me só olhar pra você

E ficar feliz como há muito espero

Torcendo para que você saia pelas ruas

Passando exatamente em frente de onde quero

 

E se me deixar olhar pra você

É melhor até proteger os olhos seus

Pois eles poderão se acostumar, sem querer

A ver a vida, daqui pra frente, com os olhos meus

Oceano

 

Sem razões para escrever a você

Esses versos sem algo

De novo para dizer.

Seria chover no oceano

Cem emoções para dizer

Em gotas como a amo.

O Voo das Flores

 

Foi assim, em um instante

Mágico, rápido, eterno

Porém, constante

 

O céu formou-se em cores

De variadas nuances

Como se as flores

 

Jogassem as pétalas ao ar

E elas por lá ficassem

Sós de par em par

 

Feito borboletas planando

Que seguiam pela rua

Quem ia sonhando

O Trilho

 

Todas as linhas me levam ao seu rastro

Como se um mapa sob o sol pintasse

Um caminho marcado entre o astro

E uma estrela que não apagasse

 

Que nunca perdesse o seu brilho

Como um cometa de cauda multicor

E me arrastasse por este incrível trilho

Que chega, um dia, na estação do amor

O Teatro dos Anjos

 

Brilhos cintilantes caindo das nuvens

Quando alguém mexe as asas assim

Como se piscassem estrelas lá atrás

 

Como se o palco fosse só de algodão

E o refletor uma lua cheia e radiante

Sem cortina, aberto, revelado a mim

 

Platéia única de um teatro dos anjos

Que coreografaram a beleza divina

Do universo transposto para tablado

 

Com um roteiro a ser escrito um dia

Cheio de mistérios, de sonhos vivos

Plantados na realidade deste mundo

 

Cada ator ou atriz com as suas asas

Desempenham seu papel do destino

Que eu vou aplaudir desde o prólogo

 

Encantado com tanta beleza e amor

Reparo ao se acender uma nova luz

Que a peça dos anjos é um monólogo

O Sonho de uma Estrela

 

Em cada risco de luz que aparece no céu

Procuro desvendar a rota da estrela

Que segue sem rumo, porém

Sabendo o exato destino

Em que quer chegar

Quando esse dia

Amanhecer

 

E repousar

Sob uma sombra

Imaginar ser de noite

Para retornar o percurso

Interrompido naquela manhã

Quando a estrela só queria continuar

O sonho de se tornar objeto de telescópio

O Roubo

 

De quem você emprestou tanta luz?

Percebeu o sol mais fraco?

Teria roubado dele?

 

Talvez da lua cheia, a luminosidade?

Viu que ela minguou ontem?

Teria roubado dela?

 

Quem sabe as estrelas que sumiram?

Viu que não tinha constelação?

Teria roubado delas?

 

Nada disso. Foi provado o contrário.

Hoje foram presos um sol,

Escondido na nuvem;

 

Uma lua e até as estrelas apagadas.

Que tentavam nesta noite,

Roubar o brilho seu.

O Jardim das Poesias

  

Então resolvi transformar em poesia

Sementes plantadas no jardim virtual

Sonhos coloridos como sempre queria

Para encher de flor o canteiro central

 

Convidei-a para me ajudar no plantio

Era seu bálsamo que o jardim queria

Para protegê-lo de um inverno tardio

E florescer ainda mais lindo a cada dia

 

O canteiro ficou repleto, cheio de flor

Uma mais bonita que outra do seu lado

Disputando cada gota que caía do amor

Da alegre jardineira do jardim sonhado

 

As flores e as poesias se misturaram

Sem saber exatamente qual era qual

A jardineira foi escrever com pétalas

Poesias plantadas no canteiro central

 

Eu então resolvi oferecer cada poema

Tendo cuidado em retirar os espinhos

À jardineira que, com sua mão amena

Aguava minha alma com seus carinhos

O Filme

 

No toque leve dos seus dedos, acariciando a face

Eu torço para que o filme seja longo demais

Esqueço a realidade como se este passe

De mágica pudesse criar horas a mais

 

Não percebo nem que em um beijo a cena termina

Já que não importa o destino do personagem

Se empresto dele a sua própria sina

De ver que o oásis não é miragem

 

Quando o filme termina e a magia nem vai acabar

Vejo nos olhos que há pouco se emocionaram

Que a história deixou para quem vai amar

Um novo sonho aos que se beijaram

 

Então desligo a televisão, apago a luz e vou dormir

Guardando lembranças do que vimos na história

E se após o filme chega o momento de você ir

Por aqui o final feliz tem você na memória

O Código

 

Era um código que um ou outro conhecia

Tão secreto e ao mesmo tempo

Tão aberto que parecia

Um coração

 

A linguagem era pouco usada atualmente

Talvez por isso poucos a soubessem

Mas era simples somente

Como oração

 

De um lado as palavras soltas em versos

Do outro as respostas esperadas

De longe a querer o inverso

E a tradução

 

Explicando com o amor cada uma delas

Anotando no olhar os resultados

Da alma exposta nas janelas

Da emoção

O Balde com a Lua

 

Tinha a ilusão o poeta

De guardar para sempre o luar

E ter assim toda noite a inspiração

 

Decidiu aprisionar num balde a lua

Como se ela pudesse ter dono

E contou a sua história

 

A resposta lhe foi certa

Todos passaram a lhe ignorar

Chamando-o do louco sem coração

 

Disseram que jamais a lua seria sua

E a solução seria o abandono

Da idéia e da memória

 

Na noite escura a seguir

A linda lua não mais apareceu

Deixando aquele povo bem perplexo

 

Todos correram à casa do sonhador

Que escrevia seu novo poema

E perguntaram do luar

 

Ele se colocou a sorrir

E disse que não o escondeu

Que somente guardou seu reflexo

 

E mostrou ao povo que com amor

Iria ter a lua, mesmo pequena

Na água do balde a brilhar

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O Baile Perfeito

 

As estrelas já estavam prontas

Tinham hoje uma missão importante

Assim como o vento que desde hoje cedo

Decorava o papel com entusiasmo incontrolável

 

As nuvens, coadjuvantes de mesma importância

Que a estrela principal de toda a produção

Alinhavam-se junto à janela da sala

Esperando a ordem do diretor

 

As flores brancas faziam contas

De quanto já faltava para o instante

Em que a princesa iria chegar sem medo

De machucar seus pés em uma dança insaciável

 

E assim se fez o roteiro com toda a inconstância

De uma aventura escrita só pelo coração

Onde cada um sabe de cor sua fala

E onde o coração é o produtor

 

Na sala enorme desse castelo

Em cada parede tinha grande vidraça

Por onde as estrelas faziam a iluminação

E quando abertas deixavam entrar nuvens claras

 

Empurradas pelo vento como gelo seco de efeito

Contornando os pés da princesa a dançar

As flores brancas soltaram o perfume

E tudo ficou perfeito nesta cena

 

Mas apesar de estar assim, belo

O baile para ela se mostrou sem graça

Pois quem completaria a principal atração

Ainda não chegara tornando suas alegrias raras

 

E eis que eu, como o autor deste baile perfeito

Resolvi um príncipe nesta história colocar

E peguei o papel como quem assume

O melhor personagem do cinema

 

Dançamos assim até amanhecer

Quando percebi então o que tinha feito

Deixei esta história sozinha a se escrever

E mergulhei nela para fazer parte daquele ato

 

E confesso que não queria sair e nem aparecer

No mundo real para terminar de outro jeito

Fiquei no castelo para então perceber

Que o sonho era verdade, de fato

O Abrigo

 

Foi assim que te senti neste dia

Te olhando como se tocasse

Tuas mãos levemente

 

Acariciando como só se caricia

Encostando os cílios na face

Sentindo-a docemente

 

Mudo os olhos assim de repente

Na direção dos teus braços

Segurando-os comigo

 

E com a força da minha mente

Na sensação dos abraços

Construo meu abrigo

Neste Dia

 

Simples como física nuclear

Maleável como diamante

Flutuante como ferro

De transparência

No escuro

 

A poesia

Em sua essência

Cala a alma em berro

Produz uma paz alarmante

Aquieta a tempestade do mar

 

Ajuda simplesmente ao forçar

Na memória, recordação

Na pele, o perfume

Na voz, o desejo

Obscuro

 

Um poema assim a emocionar

E completar um coração

Que acende o lume

De um ensejo

Neste dia


Narfs

 

Com um traço linearmente perfeito

Delineado com pena de ouro em nanquim

Seguindo formas clássicas, porém de vanguarda

Simetricamente repartindo essas jóias que a conduzem

 

Belíssima criatura que é condutora desses meus passos

Arrastando-me a contos de fadas ainda a contar

Às crianças que creem nesse lindo paraíso

Onde vive um ser igualzinho a mim

 

Dos braços às mãos, nesses abraços

Envolvendo pernas e balanços nesse mar

Encobrindo até a cabeça, escondendo o sorriso

Vivendo fantasias, roteiros fantásticos e sedução enfim

 

Mergulhando sem oxigênio na água límpida de um jeito

Como se fosse a sereia, princesa ou coisa assim

Pronta a me encantar e tirar dessa jangada

Atirando-me na água onde reluzem

 

Estrelas do mar, cadentes e acesas

E iluminam o caminho em direção à poesia

Para que a Narf erga-se por entre ondas brancas

E leve minha mente e mãos às teclas mágicas da vida

 

Sem pular nenhuma palavra que eu termine a obra lida

Inspirando-me em novos voos sem que trancas

Prendam-me à realidade crua no dia-a-dia

Pra ser visto por Narfs ou princesas

Naipes

 

Lancei as cartas uma a uma

Procurando a melhor mão

Apostando na felicidade               

Acertando seu coração

 

Meu ouro já não valia nada

Ter riqueza é na verdade

Alguém que você gosta

Sendo sua felicidade

 

São versos simples eu sei

Como os paus a formar

A cabana lá na serra

Virada para o mar

 

Onde espadas da ternura

Cortam o meu coração

Ferindo com alegria

Curando a solidão

 

As cartas já estão na mesa

Na minha sincera poesia

Que guardou as copas

Pra te dar um dia

Na Outra Calçada

 

Começo então do meu princípio primeiro

A partir de uma idéia pensada a toda hora

Se a cada minuto fica mais clara a demora

A cada segundo fica mais denso o roteiro

 

Desejo que você venha antes do que quero

Antes de mudar o ponteiro que gira no meio

Meio que tenho de apressar o que anseio

Querendo descontar o tempo que espero

 

E é aí que você, linda, na janela aparece

No belo vestido que ontem caminhava

Pelos paralelepípedos que suave pisava

Deixando um perfume que não se esquece

 

Sorri como somente seus lábios sabem

Pisca lentamente como se o filme parasse

E meu único ensejo para que me notasse

Esvai-se quando dali suas pernas saem

 

Mas sabia que meu dia não estaria perdido

Vê-la compensa a espera que não cansa

Mesmo que da janela onde sua mão descansa

Nem vê, na outra calçada, meu olhar sentido

Na Fração de Segundo

 

Basta isso para que o mundo gire

Para que se faça um campeão

Para que ninguém lhe tire

Seu direito à emoção

 

Basta isso à borboleta

Para que se ela transforme

Basta ao jogador naquela roleta

Sua sorte na vitória com seu nome

 

Basta isso para que o sol se ponha

E a noite troque então de lugar

Basta para você que sonha

Ver a realidade se formar

 

Basta isso para esquecer

O que não importa no mundo

Basta apenas você então perceber

O que acontece na fração de segundo

Janela do Sonho

 

Só assim me sinto completo

Só completo me dôo por inteiro

Só inteiro me permito estar repleto

Só repleto de sonhos aguou o canteiro

 

Canteiro onde vive a flor do seu cabelo

Que perfuma a vida onde se instala

Nosso girassol plantado com zelo

No coração que só amor exala

 

Só assim fico uma alma feliz

Só feliz consigo escrever o verso

Só verso sobre o que meu coração diz

Só diz que da sua ausência quer o reverso

 

Reverso de um vazio quando você já vem

Passou-se um dia, como se fosse ano

E da janela do sonho que você tem

Olho você dormindo e a amo

Hoje

 

Hoje acho bom o sol brilhar mais forte

E quando ele for descansar à tarde

Que deixe a ordem para o luar

 

Hoje acho bom tomar só o rumo norte

Como um barco que não faz alarde

Ao sentir o porto onde chegar

 

Hoje acho bom escancarar a alegria

Como a menina frente ao palhaço

Ou criança brincando no chão

 

Hoje acho bom dizer que escreveria

Uma só página ou um calhamaço

Pra aproveitar essa inspiração

 

Hoje acho bom dizer que é feriado

Não fazer nada e mesmo assim

Dizer que este dia já ganhei

 

Hoje o comércio vai ficar fechado

Abrindo as portas só para mim

Comprar um livro que achei

 

Hoje vou deitar na rede e sonhar

Que este dia já é uma semana

E daí passou para um mês

 

Acho bom hoje ainda não acabar

Já que a nós ele não engana

Amanhã ele vem outra vez

Histórias em Quadrinhos

 

Revejo as molduras que emolduraram tempos

Tão distantes, tão pertos de minha mente

Releio quadro a quadro tão somente

Revivendo todos os sentimentos

 

Como uma história sem nexo em quadrinhos

Que, postos lado a lado, fazem o sentido

Que logo no início me deixam rendido

Como alguém a receber carinhos

 

E nesse número de sorte há anos passados

Como quem dança em nuvens a vi surgir

Fazendo-me sonhar sem querer sair

Reescrevendo roteiros guardados

 

Em lembranças, saudades de um segundo

Que se repete assim interminavelmente

Através desse olhar que traz a lente

E me deixa ver o nosso mundo

Felicidade

 

Acordei hoje de um louco sonhar

Onde olhava vários barcos

Descendo pela rua

 

Claro que eram de só de papel

Mas eu chegava a pensar

Que levavam gente

 

Pequeninos seres a navegar

Passando sob os arcos

De uma noite de lua

 

Com estrelas e luzes no céu

Límpida como o sonhar

Livre como a mente

 

Que imagina um lugar assim

Habitado por anjos de luz

De formas variadas

 

E cada ser com um raro poder

De conduzir os barquinhos

Ao lado da saudade

 

Que sempre renasce em mim

Como se eu não fizesse jus

Às noites sonhadas

 

Saudade que vai desaparecer

Quando os seus carinhos

Trouxerem felicidade

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Estrela de Dia

 

Prometi para hoje uma poesia

Que fosse assim como um pedido

De desculpa por um tempo sem ver

Versos surgirem e se ordenarem assim

Quase que sozinhos, inspirados pela alma

Que reflete a beleza de quem possui sua face

 

Espero cumprir essa parte e deixar que passe

As estrofes já formadas nessa mente calma

Tranquila pela paz que irradiou em mim

E deixar no papel a lembrança de ter

Idéias para um poema escondido

Que surge como estrela de dia

Essência

 

Só um pedacinho de um verso

Já diria no final o que quero

Uma palavra que se define

Escrita com todo esmero

 

E em um poema assim

Declarar de coração

Que você pra mim

É só a essência

 

Da rima oculta

A excelência

Da poesia

O amor

Eclipse

 

Ela apareceu imponente

Como cabe à rainha do céu

Das outras, o brilho apagando

Tomando para si a noite inteira

 

Ofuscou cada estrela sorrateira

Passou pelo escuro desfilando

Deixando suas fases ao léu

Sem parecer prepotente

 

Era a noite da sua glória

Com o mundo inteiro vendo

Cada minuto do eclipse total

Prestando atenção no vermelho

 

Mas foi por culpa de um espelho

Que a lua cheia caiu numa real

A se ver refletida e não tendo

Como ofuscar essa história

 

Em uma rua de uma cidade

A olhar pra cima, com carinho

Estava uma mulher a admirá-la

Enquanto ela, nas sombras, ficava

 

A lua percebeu que não adiantava

Sonhar que a terra iria amá-la

Se lá embaixo, no caminho

Brilhava outra intensidade

 

E seus olhos lindos assim

Na noite da lua cheia estrear

Criou um outro eclipse no infinito

Deixando a estrela em segundo lugar

 

Foi tanta luz da sua bela alma a brilhar

Tanto amor no momento tão bonito

Que o esperado eclipse lunar

Acabou bem antes do fim

Dez Segundos

 

Peço perdão

Pela falta de inspiração

Pelo verso pouco nobre

Pelo final com rima pobre

 

Peço perdão

Por querer e não dizer

Por gostar e não contar

Por amar e quieto permanecer

 

Peço perdão

Pelas vezes que calei

Pelas tantas que não fiz

Pelas outras em que liguei

 

Peço perdão

Por mudar o gênero

Por ignorar o resto

Por eternizar o efêmero

 

Peço perdão

Por pensar enfim

Para cada minuto em você

Só dez segundos em mim

 

Peço, por fim, perdão

Por este egoísmo meu

E lhe devolvo os dez segundos

Para que saiba que meu tempo é seu

Devagar

 

Voltei pra casa contando cada passo

Devagar, somando as pedras na rua

Feliz, leve, flutuando livre no espaço

Deu até pra listar as crateras da lua

 

Voltei na calçada como sempre faço

Desviando das árvores que surgiam

Deu pra esquecer qualquer cansaço

E dar olá às estrelas que apareciam

 

Voltei assim porque nem pressa tinha

Pulando ladrilhos com outro desenho

Com cuidado para não pisar na linha

Como menino, que dentro ainda tenho

 

Voltei brincando assim com a demora

Devagar porque, na verdade, pensava

Que sem relógio, sem tempo, sem hora

O tempo de te ver mais rápido passava

Desobediência

 

Um alinhamento astral pediu para eu escrever

Para alguém que amasse, uma mensagem,

Que transformasse o modo de ver.

Que criasse uma imagem

 

Que enfim pudesse trazer,

Na fotografia ainda não revelada,

Os olhos que fazem o encanto acontecer.

E lentes mágicas mudarem em tudo um nada.

 

Deixarem minha hora, meu dia, minha vida,

Repletos de sonhos espalhados no chão.

E que formam uma alegria incontida

Na minha alma e coração.

 

Perdão, se não conseguir

Obedecer aos planetas nessa hora

E escrever versos que lhe façam sentir

Pelo menos um pouco do que eu sinto agora.

De Passagem

 

Nem que for de passagem

Assim, rápido, como o prazer

Nem que for a um segundo além

Mas será o suficiente para me vencer

 

E fazer do meu dia uma grande festa

Que dura apenas esse segundo

Onde vejo assim pela fresta

Toda essência do mundo

 

Resumida na velocidade

Do carro que sobe pela rua

Exalando girassóis pela cidade

Criando uma escada florida até lua

 

Tudo isso é causa e efeito do vento

Que sopra perto desse paraíso

Cegando o sol no momento

Que abre o seu sorriso

Coração-Menino

  

Pego na mão do destino

Para então encontrar

O nosso caminho

Como se ele

Fosse o

Guia

 

Penso então no menino

Que sem a procurar

Acha-a no ninho

Como se ele

Exalasse a

Alegria

 

Ah, coração-passarinho

Deixe-me só voar

Um pouquinho

Para que eu

Por você

Sorria

 

Como o coração-menino

Bombeando o sonhar

Em um carinho

Elegendo-a

O sol do

Meu dia

Contos de Fadas

  

As facas desenhavam silhuetas

Que tomavam formas diferentes

E clareando-se, como se afasta

A névoa, mágicas se revelavam

 

Apareciam do nada os corações

Cavados no gelo que os derretia

Com o calor que nele se exalava

Com o amor que nos dois existia

 

O príncipe desenhava as piruetas

Sobre o corte, as lâminas quentes

Sob a lua que de bela já se basta

Sob estrelas que se completavam

 

Um conto-de-fadas com emoções

Iguais como o seu livro descrevia

A princesa no jardim que sonhava

Páginas que carinhosamente relia

Contagem Regressiva

 

Contei bilhões de estrelas esta noite

Para passar o tempo mais depressa

E te ver passar

 

Cantei milhões de versos esta noite

E que formaram poesias como essa

Pra você olhar

 

Plantei milhares de flores esta noite

Formando tapetes em uma só peça

Pra você pisar

 

Pulei centenas de ondas esta noite

Para trazer sorte e fazer promessa

À rainha do mar

 

Tentei dezenas de vezes esta noite

Acordar rapidamente e com pressa

E o sonho guardar

 

Mas brincando vou dizer esta noite

Ainda que você, sorrindo, me peça:

“Esqueci o sonhar”

Conjunção Astral

 

Astros em fila indiana à espera de séculos

Séquitos de seguidores de signos

Em busca do ilógico imaginário

A alinhar na ponta do lápis

De cor, de cera, destino

 

Que emerge do universo

Único que traz uma princesa

Prometida com manto de poeira

De estrelas de cometas comedidos

E tímidos como planetas e seus rastros

Coincidências

 

A cada coincidência tenho a certeza

De que, se – as próprias – não existem

Cada uma passa a ser um sinal bem vindo

 

É assim com um pensamento único e igual

Assim com números idênticos para nós

E quando nos chamamos sem dizer

 

Caminhos que se cruzam na beleza

De um céu onde as estrelas já insistem

Em mostrar direções que vamos seguindo

 

E sem nem mesmo sairmos de um quintal

Viajamos nestes sonhos, juntos e a sós

Em coincidências ainda a acontecer