Comecei
a pintar no quadro uma obra de arte,
Dessas
que a modéstia impede de mostrar.
E
guardei somente para mim. Só até agora,
Já
que você descobriu o que eu iria ocultar.
No
centro, você, com toda sua ímpar beleza,
Preenchendo
um vazio de branca tonalidade.
Exalando
um perfume que não devia ali estar,
Mas
que saiu dali e contagiou minha vontade.
Decidi
então retocar um pouco a nossa tela,
Colocando
um arco-íris pra você poder olhar.
Um
riacho doce coberto de mel e chocolate.
E
um sol se pondo para o cenário completar.
Com
cores roubadas você fez um novo vestido.
E
na margem do riacho sentou-se deliciando.
Mergulhou a mão para tocar as águas
doces
E olhou para fora da moldura me
imaginando.
Aí se inverteram os papéis já
combinados.
Entre quem é o artista e quem é a
criatura.
Pois eu, olhava parado, o que tinha
criado.
E você, se mexia, desmanchando a
pintura.
E então rapidamente pulou fora da
moldura,
Caindo em meus braços de tinta
manchados.
Olhando em meus olhos que não
acreditavam
Serem possíveis e reais os sonhos
sonhados.
Beijamos-nos, carinhosos, por longo
tempo.
Comprovando o sabor mais doce que o rio.
Foi quando, infelizmente, acordei do
sonho.
Olhando para o centro do meu quadro
vazio.
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