domingo, 9 de agosto de 2026

A Pintura

 

Comecei a pintar no quadro uma obra de arte,

Dessas que a modéstia impede de mostrar.

E guardei somente para mim. Só até agora,

Já que você descobriu o que eu iria ocultar.

 

No centro, você, com toda sua ímpar beleza,

Preenchendo um vazio de branca tonalidade.

Exalando um perfume que não devia ali estar,

Mas que saiu dali e contagiou minha vontade.

 

Decidi então retocar um pouco a nossa tela,

Colocando um arco-íris pra você poder olhar.

Um riacho doce coberto de mel e chocolate.

E um sol se pondo para o cenário completar.

 

Com cores roubadas você fez um novo vestido.

E na margem do riacho sentou-se deliciando.

Mergulhou a mão para tocar as águas doces

E olhou para fora da moldura me imaginando.

 

Aí se inverteram os papéis já combinados.

Entre quem é o artista e quem é a criatura.

Pois eu, olhava parado, o que tinha criado.

E você, se mexia, desmanchando a pintura.   

 

E então rapidamente pulou fora da moldura,

Caindo em meus braços de tinta manchados.

Olhando em meus olhos que não acreditavam

Serem possíveis e reais os sonhos sonhados.

 

Beijamos-nos, carinhosos, por longo tempo.

Comprovando o sabor mais doce que o rio.

Foi quando, infelizmente, acordei do sonho.

Olhando para o centro do meu quadro vazio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário