sábado, 29 de agosto de 2026

O Balde com a Lua

 

Tinha a ilusão o poeta

De guardar para sempre o luar

E ter assim toda noite a inspiração

 

Decidiu aprisionar num balde a lua

Como se ela pudesse ter dono

E contou a sua história

 

A resposta lhe foi certa

Todos passaram a lhe ignorar

Chamando-o do louco sem coração

 

Disseram que jamais a lua seria sua

E a solução seria o abandono

Da idéia e da memória

 

Na noite escura a seguir

A linda lua não mais apareceu

Deixando aquele povo bem perplexo

 

Todos correram à casa do sonhador

Que escrevia seu novo poema

E perguntaram do luar

 

Ele se colocou a sorrir

E disse que não o escondeu

Que somente guardou seu reflexo

 

E mostrou ao povo que com amor

Iria ter a lua, mesmo pequena

Na água do balde a brilhar

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